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A casa que caiu dentro de mim

O coração partido não se explica com palavras bonitas porque ele não tem beleza. Ele tem peso. É o peso de uma casa inteira que desabou sobre o teu peito enquanto tu ainda estavas lá dentro, a dormir, a sonhar com a permanência, com a ilusão infantil de que algumas coisas não acabam. Não houve aviso sísmico, não houve tempo para fugir. Apenas o estrondo. E depois, o silêncio esmagado pelos escombros. Tu acordas e a primeira coisa que sentes é o embate. Não é tristeza, ainda não. É físico. É uma náusea que nasce no centro do abdómen e sobe lentamente até à garganta, como um veneno paciente. É um nó que não se desata nem com choro nem com gritos. O corpo entra em modo de sobrevivência, mas não sabe exatamente de quê. O ar parece mais espesso, quase hostil, como se o oxigénio tivesse decidido que já não te pertence. Tu tentas encher os pulmões, mas o ar tropeça nos destroços do que tu achavas que era a tua vida. Respirar torna-se um ato consciente, trabalhoso, indigno de algo que antes e...

Enquanto eu ainda estava aqui

Ela acordava sempre antes de todos. Mesmo quando o corpo já não obedecia, levantava-se. Não por disciplina, mas por hábito de cuidar. O café ficava fraco, as mãos tremiam, mas a mesa estava posta quando ele entrava na cozinha. Chamava-lhe “menino”. Sempre. Mesmo depois dos quarenta. Ele corrigia-a às vezes. Já não sou um menino, mãe. Ela sorria. Não respondia. Continuava a mexer o café. Nunca foi uma mulher de abraços longos nem de grandes discursos. Amava como quem sustenta uma casa sem que o telhado caia. Pagava contas. Fazia sopa. Esperava acordada. O amor dela não se dizia. Mantinha-se. Quando ele era criança e tinha medo do escuro, ela sentava-se no chão ao lado da cama até o sono chegar. Quando era adolescente e chegava tarde, ela fingia dormir. Quando era adulto e se afastou, ela continuou a pôr um prato a mais na mesa. Durante anos. A doença chegou sem aviso, como chegam as coisas que não pedem licença. Primeiro o esquecimento pequeno. Depois o nome trocado. Depois o silêncio. ...

O país espera enquanto ninguém governa

Portugal atravessa um momento crítico. Mudanças na legislação laboral são anunciadas como modernização, mas entram em vigor sem debate público suficiente e carregadas de contradições. Reformas que deveriam proteger os trabalhadores e criar estabilidade acabam por ser, muitas vezes, simbólicas, focadas em manchetes e não em soluções reais. Contratos temporários disfarçados de flexibilidade, salários insuficientes e falta de garantias mínimas continuam a fragilizar quem trabalha, gerando insegurança e frustração em todos os setores. A fragilidade estrutural estende-se para além do trabalho. Na saúde, atrasos crónicos em consultas e tratamentos essenciais transformam problemas previsíveis em crises permanentes. Na educação, professores e alunos vivem entre greves, recursos insuficientes e reformas inacabadas, comprometendo o futuro das novas gerações. No território, regiões inteiras são abandonadas, dependentes de respostas emergenciais que chegam tarde ou nunca chegam, aprofundando desig...

Did you know?

Did you know that music has an impact on the way you feel? 🎶 How many times have you given a VMA-worthy performance in the shower? 🎸 How many of us don't sing as if we were in the final of The Voice 🎙️, feeling confident, powerful and able to overcome all obstacles? That's right. You can blame the music you listen to. Music is the art of expressing feelings and sensations through sound. For this reason, we can consider it important and essential because it contributes greatly to shaping the personality of human beings. It is through sound and rhythm that music adds sensitivity to the human being and also promotes self-confidence. It is universal and promotes people's auditory, melodic and rhythmic development through vocal and instrumental practice. In adulthood and in consciousness, music conveys various emotions. These include: joy, sadness, calm, fun, focus, melancholy, nostalgia, among others. When you're feeling stressed 😰, low self-esteem 😭 or sad 😞, for exa...

Stress? Ansiedade? Nunca mais!

Queda de cabelo - o monstro que ataca em silêncio

              Evitar a queda de cabelo é um dos temas mais preocupa a sociedade hoje em dia. As pessoas procuram soluções para isto recorrendo, muitas vezes, a produtos naturais. Assim, apresento de seguida algumas soluções que podem ajudar na luta contra a queda de cabelo: 1.       Alecrim             No topo da lista surge o poderoso Alecrim . É um ingrediente com vários estudos científicos que comprovam o seu poder sobre o couro cabeludo.             De acordo com vários estudos, os pacientes que usaram o Alecrim (neste estudo foi usado o óleo essencial) ao fim de 6 meses, observaram um aumento substancial do número de fios.             Podem ler mais sobre o assunto aqui: Descubra os benefícios do óleo de alecrim contra a queda ...

Depois do pôr do sol

  Depois do pôr do sol Não! O meu pai não! Não podes ir assim pai! Eu ainda preciso muito de ti. Por favor acorda, por favor não me deixes, por favor não vás, eu imploro-te…  Gabriel sentiu o seu coração despedaçado, em cacos, a sangrar. No momento em que o seu pai morreu, parte da sua alma morreu com ele. Era uma dor profunda, que não conseguia pôr em palavras. A mãe abraçava-o, também ela em sofrimento, sem conseguir controlar o choro que a consumia rapidamente.  O funeral terminou, mas ele não conseguia sair dali. Tinha conseguido conter o choro, soluçando de vez em quando, dormente, apático, sem conseguir sentir nada. Ele achava algo agradável não sentir achando que tudo não passava de um terrível pesadelo de que estava ansioso que terminasse, no entanto, ao olhar para a sua mãe nos olhos, deixando de ver o brilho que costumava ter no olhar percebeu que era real. O seu pai tinha desaparecido para sempre, deixando, mais do que saudade, memórias e lembranças que ficaram...