A solidão na diferença

A escrita, e posterior divulgação dos meus textos, servem (ou pelo menos gostava que servissem) para semear na mente dos leitores a árvore da consciência para temas que, muitas vezes, passam despercebidos. O comportamento das pessoas em sociedade, o egoísmo dos condutores, o cinismo no natal são apenas alguns pontos que todos nós sabemos serem reais mas que ninguém fala.
Hoje falo-vos sobre a diferença. Não me refiro, somente, à diferença de género ou de orientação sexual, religiosa, cultural ou até de pensamento. Falo em diferença pessoal, diferença social e comportamental.
O que me levou a escrever este texto foi um homem que veio no mesmo autocarro que eu.
Com uma idade, aparentemente, compreendida entre os 28 e os 31 anos, este homem apresentava claras diferenças. Não me refiro a elas num mau sentido. Não! Mas num sentido único. Num sentido individual.
Tinha um ar triste, falta de autoestima ( reparei na falta de capacidade em manter contacto visual) gestos e expressões que, para muitos vocês, foge ao normal.
Falava sozinho, como se um assunto muito sério debatesse, agarrava-se ao mp3 como quem tem medo que lho roubem ( há muito tempo que não via um mp3!)
Não tinha nenhuma deficiência física. Apenas falta de atenção e, muito provavelmente, falta de amigos.
Mais tarde, no metro, uma senhora de meia idade falava consigo mesmo a debater um assunto que, após algum tempo, percebi ser sobre o trabalho. Tinha o mesmo ar triste, a mesma expressão vazia, o mesmo sentimento de solidão que o homem transmitia.
Apenas porque a sociedade diz que não se insere nos padrões que consideram aceitáveis, não quer dizer que não mereça visto. Não digo a olhar para ele, mas a vê-lo. Como um ser individual digno de respeito. Falo do respeito porque, apesar de não ter mencionado, um grupinho de miúdos sem educação, ainda debaixo da saia da mãe, o gozava.
Quando virem alguém que não seja como vocês pensem no quão só esse alguém se sente. Na dor, na tristeza, na falta de um ombro amigo que essa pessoa sente.
Lembrem-se sempre disto: Mesmo diferentes, somos todos iguais.
Quem é que nunca ouviu esta frase?
Quase todos já ouvimos aposto. Mas quem é que, muito humildemente, a pôs em prática?...

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