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Uma grande mudança

Filipe é uma criança de 6 anos como qualquer outra. Vive em Lisboa num apartamento com os seus pais e o chiquinho, o gato preto. Gosta de jogar computador, passear com os seus pais e ir ao parque. Ama comer gomas e a sua comida preferida é a pizza de queijo. E, tal como a grande maioria das crianças, detesta ir à escola.  – Bom dia mãe! Bom dia pai!  – Bom dia filhote! – A mãe deu-lhe um beijo na testa e continuou a preparar o pequeno almoço.  Beatriz é enfermeira, mãe, esposa, mulher, voluntária numa associação de apoio às vítimas de violência doméstica, ativista dos direitos da mulher e apaixonada por culinária.  Aos olhos de Filipe, era a Mulher Maravilha. Poderosa, determinada, inteligente e protetora. Para ele, era a mulher da sua vida.  – Olá Filipe, dormiste bem? – o pai passou a mão pelo seu cabelo deixando-o meio despenteado.  – Sim pai, dormi muito bem.  Raúl é engenheiro informático, pai, marido e adora bricolage. É especialista em inventar estórias de embalar e o que mais g
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Ajuste de contas - Prólogo

Fazer justiça por aqueles cujas vozes foram caladas à força não é, de todo, uma tarefa fácil de executar. Melhor do que qualquer outra pessoa, Carla sabe que ser inspetora da polícia judiciária é um trabalho perigoso que lhe consome toda a sua essência. Porém, esta foi a profissão que escolheu para a sua vida, aceitando todos os aspetos, positivos e negativos que esta sua opção engloba: escolheu evitar que as pessoas tivessem de sofrer o que ela sofreu, escolheu evitar que os criminosos saíssem impunes dos crimes horrendos que praticam, escolheu proteger a única família que lhe resta, escolheu aguentar os crimes hediondos que os seres humanos são capazes de praticar, escolher pôr a sua vida em perigo em prol dos outros mas acima de tudo, escolheu lutar pelos seus ideias e por tudo aquilo que considera ser o mais justo e verdadeiro. Escolheu dedicar toda a sua vida e toda a sua energia aos outros. O que ela nunca pensou foi que, ao investigar um assassinato, estivesse a pôr em perigo a

E depois?

O que fica depois? O que sobra quando já não há mais nada? Depois de tudo fica a certeza de que tentámos...  A certeza de que temos de voltar a tentar...  A certeza de que podemos não conseguir terminar o que tentámos . Assim, devemos: Fazer do medo uma ponte...  Do sonho uma escada... Duma queda uma festa... Da tentativa uma conquista...  Da interrupção uma nova verdade. 

Cristóvão e Tito

Era uma vez... Não, este conto não irá começar da forma habitual. Prefiro inovar um pouco. Cristóvão é um monstro que vive numa gruta bem no centro da floresta mágica. Um sítio belo, cheio de cores vibrantes habitado pelas mais diferentes formas de vida. Fadas, bruxas (não, não são bruxas más e feias com uma verruga no nariz. Estas são bruxas luz, seres puros que mantêm o equilíbrio na natureza), anões, unicórnios, coelhos falantes e gigantes. Como seria de esperar, Cristóvão era o único ser da floresta de que ninguém gostava. Tinha mau feitio e metia medo, muito medo às restantes criaturas. Era enorme, maior que os gigantes, era feio, muito feio e muito resmungão. As fadas, no entanto, tentavam-se aproximar dele, mas sempre sem sucesso. Levavam flores, deixavam fruta fresca, legumes, presentes. Até enfeitavam a entrada da gruta com purpurinas mágicas. As bruxas também tentaram a sua sorte deixando cestos cheios de gluseimas coloridas.  Mas ele odiava e acabava sempre por afugentar as

Covid-19 em Portugal

Hoje li um artigo de reflexão na revista visão sobre a célere frase do momento: "tudo vai ficar bem". Sendo muito franco e direto, não vai. Gostava, com todas as minhas forças, de acreditar nisso. Mas o meu "eu" interior não me permite, a minha visão da situação social, económica e financeira atual não me deixa acreditar. Gostava imenso de acreditar na publicidade exagerada que passa a vida a dar na televisão, acreditar nos desenhos fofos de unicórnios e arco-íris das crianças mas não consigo. Quem acredita nisto são os otimistas, que vêem o ordenado na conta, certinho, todos os meses cuja maior preocupação é o facto de terem tido as férias da Páscoa arruinadas. Aqueles que não andam nos transportes públicos que permanecem sem desinfecção cheios de pessoas e cada vez menos frequentes devido ao lay off. Infelizmente, a realidade de Portugal é outra. Existem mais de 22 mil empresas em apuros. Patrões que não sabem quanto tempo mais vão aguentar manter as por

A solidão na diferença

A escrita, e posterior divulgação dos meus textos, servem (ou pelo menos gostava que servissem) para semear na mente dos leitores a árvore da consciência para temas que, muitas vezes, passam despercebidos. O comportamento das pessoas em sociedade, o egoísmo dos condutores, o cinismo no natal são apenas alguns pontos que todos nós sabemos serem reais mas que ninguém fala. Hoje falo-vos sobre a diferença. Não me refiro, somente, à diferença de género ou de orientação sexual, religiosa, cultural ou até de pensamento. Falo em diferença pessoal, diferença social e comportamental. O que me levou a escrever este texto foi um homem que veio no mesmo autocarro que eu. Com uma idade, aparentemente, compreendida entre os 28 e os 31 anos, este homem apresentava claras diferenças. Não me refiro a elas num mau sentido. Não! Mas num sentido único. Num sentido individual. Tinha um ar triste, falta de autoestima ( reparei na falta de capacidade em manter contacto visual) gestos e expressões que, pa

Uma alegria desalegre

Natal!!! Uma época de amor, carinho, amizade e união em que os inimigos se tornam, temporariamente, amigos, a tristeza desvanece e dá lugar à alegria, o cinismo e o egoísmo são postos de parte e a realidade passa a ser o mundo encantado da perfeição. Na época natalícia ( e apenas nesta altura) deixa de existir fome, sem abrigo, doentes, cães abandonamos, ódio... Enfim. Todas as pessoas são felizes nesta altura. Porém, e pondo o sarcasmo de parte, o natal é a pior época do ano. Recentemente a cantora Mabel lançou um single intitulado Loneliest time of year. No fundo, é uma música sobre o lado real da vida, o lado mais negro que ninguém se lembre quando chegamos a esta altura. Fala sobre a tristeza daqueles que estão sozinhos, dos que não têm uma companhia, um amigo, um familiar para partilhar esta temporada tão mágica. Eu adoro o natal! Não me interpretem mal! Mas fiquei sensibilizado com esta música porque, de facto, me consciencializou para esta triste verdade. Sempre que ouço