Covid-19 em Portugal



Hoje li um artigo de reflexão na revista visão sobre a célere frase do momento: "tudo vai ficar bem".
Sendo muito franco e direto, não vai. Gostava, com todas as minhas forças, de acreditar nisso. Mas o meu "eu" interior não me permite, a minha visão da situação social, económica e financeira atual não me deixa acreditar. Gostava imenso de acreditar na publicidade exagerada que passa a vida a dar na televisão, acreditar nos desenhos fofos de unicórnios e arco-íris das crianças mas não consigo.
Quem acredita nisto são os otimistas, que vêem o ordenado na conta, certinho, todos os meses cuja maior preocupação é o facto de terem tido as férias da Páscoa arruinadas. Aqueles que não andam nos transportes públicos que permanecem sem desinfecção cheios de pessoas e cada vez menos frequentes devido ao lay off.
Infelizmente, a realidade de Portugal é outra.
Existem mais de 22 mil empresas em apuros. Patrões que não sabem quanto tempo mais vão aguentar manter as portas abertas sem faturar, empresas que fazem contas para pagar os ordenados aos trabalhadores no final deste mês. Pessoas que têm de trabalhar sem qualquer protecção (aqui falo sobre os empregados de limpeza de escritórios essencialmente. Esses também têm de trabalhar e, ao contrário dos que trabalham no hospital, não têm máscaras, luvas e muito menos desinfectante) continuando a receber o mesmo apesar de se porem em risco diariamente para o país não parar sem sequer receberem um subsídio de risco.
Atores que ficaram sem o seu ganha pão e não sabem quando é que voltaram a exercer a sua atividade. Em muitos casos a representação é o que os define, é a única coisa que sabem fazer bem.
Agentes imobiliários que estão em pânico, sem trabalho.
Famílias inteiras sem ordenado. Empresas a fechar. Trabalhadores em pânico, com ataques de ansiedade, desesperados por não saberem para que lado se virar.
Não nos esqueçamos da crise económico-financeira que virá inevitavelmente. Não nos esquecemos do caminho que teremos de percurrer até ficar "tudo bem" ou, pelo menos, melhor.
Juro que adorava que ficasse tudo bem. Que quando isto tudo acabasse as famílias ficassem bem, mas sei que não será assim.
Existem muitos problemas sérios e demasiado graves para poder dizer que tudo vai ficar bem.
Claro que no meio da calamidade existem sempre coisas boas: o clima melhorou, os níveis de poluição diminuíram drasticamente, os animais estão mais protegidos e vais livres.
Mesmo não ficando tudo bem, tudo se irá compor.

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